do sítio, 2012.

Uma das coisas que mais me encanta na fotografia é poder contar com o acaso. Já houve uma fase em que tentei lutar a todo custo contra isso, tentando ter controle de toda situação, refletir, elaborar, executar. Sem dúvida foi um exercício legítimo e engrandecedor, mas logo esse modo de construção da imagem se tornou um pouco monótono e eu aprendi que isso não me servia como processo de criação.

Algumas semanas atrás, Ilana e eu, como de costume, fomos passar o fim de semana na casa dos seus pais em Atibaia. Acordamos numa manhã de sol tímido, ela se levantou da cama primeiro e deixou a porta aberta ao sair, deixando uma luz suave preencher o quarto. A cena estava pronta: Quadro ao fundo, luz diagonal, tripé, piano, roupa pendurada, espelho, banheiro e tapetinho no primeiro plano. Fiz primeiro uma foto com o celular ainda deitado na cama mas resolvi deixar a preguiça de lado, levantar e pegar a câmera. Achei que ficaria legal um quadro comigo refletido no espelho, um clássico dos auto-retratos, a luz já tinha caído um pouco, mas ainda sim o fiz como vocês podem ver em cima desse post. Foi aí então que o acaso veio ao meu favor. O Sr. Carlos Alberto Wirgues, mais conhecido como Carlão, tio da Ilana e uma figura ilustríssima, veio me dar bom-dia. Ele viu a câmera e sem que eu pedisse, posicionou-se na frente dela fazendo um gesto com a cabeça autorizando a fotografia. Eu só pedi pra que ficasse um pouco mais a esquerda para entrar mais no quadro e pronto, estava feito.

Ganhei de presente esse belo retrato.